Liberdade é pouco

Foi um dos destaques da programação do Festival de Direitos Humanos de 2013, busca devolver à sociedade um pouco da riqueza cultural banida da época da ditadura

O espetáculo é uma livre adaptação do texto “Liberdade Liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, censurado pela ditadura civil-militar (1964-1985).

A peça transita por espaços, tempos, depoimentos e narrativas musicais que compõem um pequeno inventário reflexivo sobre um período histórico marcado pela repressão política, que resultou em um enorme número de mortos e desaparecidos e que, lamentavelmente, culmina em uma realidade que se repete e se reinventa nos massacres, chacinas e assassinados de jovens que vivem nas regiões periféricas das cidades.

Assim, além das graves violações aos direitos humanos cometidas no período da repressão, o espetáculo trata do genocídio da juventude negra nas periferias das metrópoles. “O desafio é conseguir falar para todos os públicos, estabelecer um paralelo sobre a censura e a tortura com os dias atuais, como os assassinatos de jovens nas periferias e os autos de resistência”, diz o dramaturgo Dorberto Carvalho, responsável pela adaptação do texto histórico.

Rudifran Pompeu, diretor da peça, também enfatizou a questão da ocupação do espaço público. “Temos de voltar para as ruas e resgatar questões históricas que muita gente não sabe. Durante muito tempo, existiu a privação da cultura. Agora, não só podemos como devemos manter esse acesso livre o tempo todo.”

A ideia do projeto partiu do ator Celso Frateschi, buscando devolver à sociedade um pouco da imensa riqueza cultural banida do período ditatorial. O elenco conta com alguns artistas que vivenciaram a censura e a perseguição política.

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