Marulho: O caminho do rio…

Vencedor do APCA 2011 de melhor Texto para Rudifran Pompeu e indicado ao Shell por melhor direção Musical

Fruto de uma pesquisa do Grupo Redimunho entre o Rio São Francisco e o sertão mineiro, Marulho: o caminho do rio é um misto de imaginação e realidade; Tecido com estórias fantásticas de ciganos e erês, cantos de trabalho, mar e pescadores, todas entrelaçadas por fios da realidade vivida pelo Grupo durante o seu processo de pesquisa.

Um grupo de atores vive uma crise, e durante seu período de criação começa a receber cartas misteriosas. Estórias míticas de pescadores, cantos de trabalho, erês, sertanejos e ciganos estão presentes em Marulho: o caminho do rio, espetáculo que incorpora ao universo de Guimarães Rosa a Macondo de Gabriel García Márquez com algumas cores de Jorge Amado.

Idéia nascida em novembro de 2008, ainda durante a temporada do trabalho anterior do Grupo, Vesperais nas Janelas, Marulho: o caminho do rio representa, antes da ficção e do objeto artístico que é, a história dos atores do coletivo empenhados na execução de duas grandes tarefas: a construção do espetáculo e a construção do espaço onde ele seria apresentado, o Espaço Redimunho.

A primeira versão dramaturgica de Marulho (contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo) ficou pronta em março de 2010. A partir daí, nos meses subseqüentes, o que ditou o ritmo do espetáculo foi à construção do nosso espaço, um galpão que transformamos em teatro, no centro da cidade, à rua Álvaro de Carvalho, 75, entre a rua Martins Fontes e a Ladeira da Memória.

Marulho, desde o seu início, coleciona inversos, contrários e inexplicações. Quase tudo no Grupo é assim. O começo da pesquisa pensa o mar e o que a ele se relaciona com seu histórico de pescadores, seus mitos e seus naufrágios, tendo como ponto de partida nosso olhar embriagado de sertão.

A relação entre ambos é o nosso entendimento dessas duas geografias, extremos que se completam. Sertão é onde a paisagem, seja de água, seja de terra, carece de fechos. Entre eles, o rio. Rio cujo trajeto seguimos. Mais uma vez Cordisburgo, que nos deu Andrequicé, que nos levou ao De Janeiro, que nos aportou no São Francisco. O mar, visto e imaginado daí, foi e tem sido a bússola do nosso Marulho, onde o processo artístico da criação conjugou cenas, figurinos e dramaturgia, com cimento, areia, marcenaria, pintura… realidade preparando o terreno da ficção, confluências refletidas diretamente na dramaturgia que incorporou a experiência vivenciada pelo grupo na trama ficcional do espetáculo: história dentro da estória.

Do que trata Marulho é mais sentido do que explicado, qualidade intrínseca e primária de toda obra de arte. Por isso é mais seguro referir no que a peça se inspira e no universo que ela representa.

À cisterna inesgotável de Guimarães Rosa, incorporamos Gabriel García Márquez, e algumas águas de Jorge Amado. Formou-se uma Macondo de jagunços e vaqueiros, pescadores e ciganos em estórias que ampliaram o continente do sertão.

Construir esse espetáculo foi, e tem sido, a reconstrução de nós mesmos. É ele que agora servimos, como oferenda, aos santos, ao público e a nós mesmos.”

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