No nada, e foi assim…

O Redimunho é um coletivo de artistas que carrega consigo a ideia de um teatro voltado para o universo interiorano, que busca, junto ao homem mais rústico, uma reflexão sobre a vida e encontrou na obra e no universo do escritor mineiro João Guimarães Rosa inspiração para o início de suas criações.

Desde seu nascimento, em 2003, o grupo busca suprir as inquietações de seus artistas, que sempre se depararam com infindáveis questões acerca da vida do homem, dos contrapontos com a vida de antes e a vida de agora, criando um vínculo direto com a cidade de São Paulo e a origem de grande parte de seus habitantes. Tem como um de seus propósitos estar sempre em constante movimento. Daí o nome ser uma “corruptela” ou um neologismo oriundo do vocábulo redemoinho: “redimunho” é como o povo do sertão fala dos ventos contrários, que se encontram formando uma espiral…

E foi então que tornou-se necessário experimentar o viver entre os animais, entre o sertanejo e “suas gentes”, o que implicava transportar-se por algum tempo a esta realidade de riqueza tamanha, apreendendo os registros de seus sabores, de seus cheiros, e de suas falas… Para isso, passamos a viajar à Cordisburgo (cidade natal de Guimarães Rosa), Morro da Garça, Andrequicé, Barra do De Janero, ao Rio São Francisco, ao Povoado das Pedras e tantos outros lugarejos desse nosso sertão para desenvolver nossas pesquisas.

E no exercício desta investigação, descobrimos as possibilidades cênicas que esse universo nos trazia: os lugares, suas casas e janelas, as canções que de lá brotavam, os causos que saltavam a todo momento aos ouvidos… Foi assim que nossa dramaturgia começou a surgir, dessa terra batida por “butinas” e patas grossas que calcam a mais fina relva. E, a partir daí, criamos e recriamos nossa arte empiricamente, procurando privilegiar “retratos e relatos” com os quais nos deparamos ao longo de nossas viagens, o que nos guarneceu de matéria-prima para a concepção de nossos espetáculos.

Seguimos, na intensa procura por descobrir novas possibilidades cênicas, na reflexão de questões que surgem a todo instante, somando-se à necessidade de atritar as relações artísticas dentro de nosso próprio coletivo. Tudo isso só é possível com o princípio básico que norteia toda pesquisa: acerto e erro, e estes são assimilados, inevitavelmente e tão somente, com o tempo.