Recordo tudo na minha meninice. Boa, foi. Me lembro dela com agrado: mas sem saudade(…).
Para trás, não há paz.
Guimarães Rosa

Depois do sucesso de público e crítica de “A Casa” (Prêmio APCA de melhor texto teatral de 2006) o Grupo Redimunho de Investigação estriou em 13 de setembro de 2008 seu segundo espetáculo. Fruto de uma longa pesquisa em incursões pelo sertão mineiro e visitas a cidades como Cordisburgo e Morro da Garça, “Vesperais nas Janelas” lança um novo olhar à obra de Guimarães Rosa, autor cujo universo tem sido reproduzido no Casarão da Escola Paulista de Restauro desde que o Redimunho a transformou em sede.

A montagem que ficou em cartaz 10 meses, apresentava ao público um vilarejo perdido no tempo que ninguém sabe ao certo onde fica, se mesmo existe ou se é obra da fantasia humana. Ali, o espectador acompanhava a trajetória de uma trupe mambembe que, na sina de trocar sua arte por pouso e comida, ia deixando por onde passava o rastro das histórias de cada habitante daquele lugar.

Através destas histórias descobriamos a madrugada remota em que três crianças saiam para enterrar um santo ao pé de uma cruz (costume que no sertão é uma maneira supersticiosa de chamar a chuva). Por uma ação desastrada, o ritual causou uma tragédia que mudara a vida do povoado e provocara uma conflituosa relação entre tempo e espaço. De janela em janela, testemunhamos cenas que recompõem a tragédia, em episódios que se desenlaçam num compasso diferente, num clima de magia e tensão no qual relatos do acontecido se misturam ao imaginário criado em torno dele.

“Vesperais nas Janelas” é uma peça que retoma o fio da narrativa popular, com causos e canções extraídas do folclore interiorano e das muitas histórias guardadas nos ermos recantos do Brasil. Quase um musical, o espetáculo possui uma trilha sonora com faixas compostas pelos próprios atores, baseadas no cancioneiro popular e na experiência que o elenco teve no contato com a cultura das cidades mineiras.

Assista ao trailer do espetáculo: